Despiste de cancro colorectal por teste de pesquisa de sangue oculto nas fezes, na Hungria
Significado
O cancro colorectal é a terceira neoplasia maligna mais comum no mundo. Mais de 50% dos casos apresentam-se como doença avançada, sendo a taxa de sobrevida aos 5 anos de 50%. Quando a doença é local, a taxa de sobrevida aos 5 anos aproxima-se dos 90% para cancro do cólon, e de 80% para cancro do recto.
A realização de um teste de despiste de cancro colorectal não pode evitar o cancro, mas a testes positivos devem seguir-se exames complementares de diagnóstico para confirmar ou excluir a doença, seguindo-se um tratamento eficaz em caso de confirmação.
Teste de pesquisa de sangue oculto nas fezes
Este exame é baseado no princípio de que oscarcinomas do cólon sangram e que esta hemorragia oculta pode ser identificada por um exame facilmente disponível. Cancro colorectal não é a única doença que pode causar o aparecimento de sangue nas fezes. Um exame positivo não indica necessariamente que esteja presente um pólipo do cólon. Outras fontes de hemorragia tais como, hemorróidas, diverticulite, úlceras, etc. podem estar presentes. Sangue de carne de uma comida ingerida pode também causar um teste falsamente positivo.
A actividade de oxidação enzimática da hemoglobina (encontrada nos glóbulos vermelhos do sangue), pela peroxidase, origina um composto azul facilmente detectável no teste de cromatografia no papel. O teste positivo do papel tem de ser examinado por electroforese, que pode indicar a presença de albumina ou hemoglobina. Desta forma pode-se distinguir entre sangue humano e animal (da dieta). Se este teste é positivo, é necessário proceder a exames complementares.
No mundo têm sido efectuados muitos ensaios diferentes para avaliar a eficácia do teste de pesquisa de sangue oculto nas fezes na redução da mortalidade por cancro colorectal. A Associação ILCO em Kaposvar (Hungria) realizou um despiste de sangue oculto nas fezes (SOF) em 15.000 pessoas num período de 3 anos (1995-1997).
Aproximadamente 48% dos médicos locais participaram neste programa.
Hemorragia intermitente pelo tumor, e distribuição irregular de sangue pode causar testes falsos negativos e uma mais baixa sensibilidade do teste. Por estas razões tem sido recomendado que sejam usadas amostras de fezes em três dias consecutivos. Amostras que são semanalmente positivas tornam-se negativas quando armazenados, por conseguinte todas as amostras precisam de ser analisadas dentro de quatro dias após a recolha. Das 9410 amostras avaliadas, 905 (ou 9,6%) foram positivas (Tab.1). Daquelas com resultados positivos, apenas 40,3% continuaram com exames clínicos adicionais.
No decurso de exames clínicos (endoscopia digestiva alta e baixa, clister opaco com bário, etc.), diagnosticaram-se 9 tumores malignos, 16 poliposes cólicas, 28 pólipos adenomatosos, 15 colites ulcerosas e 1 doença de Crohn (Tab. 2). Todas as provas mostraram uma melhoria significativa no diagnóstico precoce da doença na população despistada (estádios mais iniciais). Cancros precoces eram mais frequentes no grupo despistado, e, em conformidade, mais doentes tinham cura e também cirurgia mais conservadora, com uma baixa mortalidade pós-operatória.
Esforços para identificar as causas e desenvolver medidas de prevenção efectiva conduziram à hipótese de que pólipos adenomatosos (adenomas) são percursores de uma grande maioria de cancros colorectais. De facto, medidas que reduzem a incidência e prevalência de adenomas podem resultar numa diminuição subsequente do risco de cancro colorectal. Presentemente a Sociedade Americana de Cancro e o Colégio Americano de Médicos recomendam exames individuais a pessoas acima dos 50 anos sem factores de risco e a indivíduos com mais de 40 anos com factores de risco identificáveis.
Linhas orientadoras para despiste de cancro colorectal
Teste de sangue oculto nas fezes anualmente, mais Fibrosigmoidoscopia todos os 5 anos,
ou Colonoscopia todos os 10 anos,
ou Clister opaco com bário todos os 5-10 anos
Recomendações clínicas práticas – Pessoas têm um risco aumentado, com:
Familiares próximos que tiveram cancro colorectal ou um pólipo adenomatoso;
Historia familiar de polipose cólica familiar;
Historia familiar de cancro colorectal não poliposo hereditário;
Historia de pólipos adenomatosos;
Historia de cancro colorectal;
Doença intestinal inflamatória.
Todas as estratégias de despiste são mais efectivas em salvar vidas do que não haver despiste algum.