Muitos dos actuais ostomizados terão tido o que é conhecido como proctocolectomia total devido a colite ulcerosa ou doença de Crohn. Isto envolve a remoção total do cólon, do recto e muitas vezes do canal anal, juntamente com os esfíncteres anais. O restante canal anal é então cosido e a última porção do intestino delgado, o íleo, é trazido à superfície da parede abdominal como uma ileostomia terminal ou permanente. O conteúdo fecal esvazia para uma aparelhagem, ou saco de ostomia, que é fixado ao exterior do corpo.
Contudo em anos recentes, muito mais pessoas em tais circunstâncias terão tido o recto e cólon removidos tendo sido deixados intactos o canal anal e esfíncteres. É construído um novo recto à custa do íleo sendo então suturado ao canal anal para formar o que é usualmente conhecido como uma bolsa ileoanal. Este é agora o procedimento mais comum realizado para o tratamento de colite ulcerosa. Com o advento de novas técnicas e equipamento incluindo um instrumento chamado pistola agrafadora («stapling gun»), que permite que o intestino seja ligado seguramente a um nível muito mais baixo do cólon do que era possível , a forma mais corrente de bolsa é a bolsa em «J», ou bolsa em Jota.
Isto é feitolibertandoduas ansas de íleo, lado a lado, abrindo as paredes das ansas, e unindo-as para formar uma grande bolsa que é então unida ao canal com a pistola de agrafagem.
Por forma a permitir a anastomosede cicatrizar adequadamente sem o risco de infecção pelo conteúdo fecal, ou algum receio que a junção possa não ser suficientemente forte inicialmente para evitar a ocorrência de quaisquer fugas, é muitas vezes criada uma ileostomia temporária em ansa como parte da intervenção. Para isso, é trazida uma porção de íleo para fora sob a forma de uma ileostomia em ansa, com uma pequena abertura no seu lado para permitir a saída do efluente fecal, protegendo assim a junção. Após dois a três meses, é feito um raio X detalhado para assegurar que o intestino está completamente curado. A abertura na ileostomia é então fechada e o íleo recolocado na cavidade abdominal, permitindo as fezes fluir normalmente através do canal anal.
Outros usos de ileostomias temporárias
Em casos de cancro do cólon e recto, o cirurgião remove a parte do intestino contendo o cancro juntamente com uma margem de tecido são de cada lado do cancro e gânglios linfáticos envolventes. Dependendo da posição exacta do cancro dentro do cólon, os dois extremos do restante intestino podem usualmente ser unidos sendo assim restaurada a função normal do intestino. Em alguns casos, particularmente se o cancro está no recto ou baixo cólon, isto pode não ser possível e o cólon tem que ser trazido à superfície abdominal sob a forma de uma colostomia terminal. Todavia, como mencionado acima, com a nova pistola de agrafar cerca de 75% das pessoas com cancro do intestino grosso podem agora fazer operações com manutenção do esfíncter com a junção do restante intestino ao canal anal com os esfíncteres intactos.
Tal como nas operações com bolsa ileoanal devido a colite ulcerosa, grande parte das operações devido a cancro colo rectal onde os extremos do intestino são unidos, será feita uma colostomia ou ileostomia temporária durante dois ou três meses para permitir a cura da junção. Diversos estudos compararam ileostomias em ansa temporárias com as colostomias temporárias mais usuais, e estes estudos mostraram que os doentes acham mais fácil viver com ileostomias, que as taxas de complicações eram mais baixas com as ileostomias em ansa, e era também mais fácil fazer o encerramento do que com colostomias. É agora sugerido que a ileostomia em ansa é a melhor opção durante o desfuncionalização duma anastomose colorectal devido a cancro. Com o aumento do cancro colorectal devido ao envelhecimento da população é provável que nos próximos anos se continue a verificar um aumento sustentado no número de ileostomias temporárias.
As ileostomias temporárias são também usadas para outras complicações intestinais, em que o intestino precisa de tempo para cicatrizar, tal como fístulas intestinais graves, diverticulites e outras condições funcionais do intestino, e também para operações especiais dos esfíncteres anais.
Porque poderão os membros da Associação estar interessados em pessoas com ileostomias temporárias?
A maior parte das pessoas com cancro colorectal fazem mais operações com conservação do esfíncter com ileostomias em ansa, do que com colostomias como era habitual.
Embora muitos deles tenham as suas ileostomias revertidas, como acontece com aqueles que têm uma ileostomia temporária após uma operação com bolsa, uma proporção significativa poderá não estar suficientemente bem para poder fechá-la e algumas pessoas podem mais tarde ter de regressar a uma ileostomia.
Além disso, embora muitas pessoas com uma ileostomia temporária tenham esta encerrada dentro de três a quatro meses, com as listas de espera do hospital, muitos tem de esperar vários meses ou mesmo um ou dois anos.
Estas pessoas muitas vezes precisam de alguma ajuda e aconselhamento sobre problemas da vida diária que apenas podem ser dados por alguém com experiência pessoal de vida com uma ileostomia. Por conseguinte sente-se que a Associação deverá estar disponível para pessoas com ileostomias temporárias.
Nos próximos meses haverá discussões para verificar como os nossos membros poderão oferecer alguma ajuda e conselho dentro da organização.
Autoria: Elizabeth Rang
Publicado no «IA Journal», Número 181 – Set./Out./Nov. de 2003, págs. 10 a 11